MATO GROSSO DO SUL, quarta-feira, 8 de setembro de 2010 - BOA MADRUGADA!   
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» SUPLEMENTO CULTURA DE 27/2/2010
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A Poesia de Reginaldo Alves de Araújo

   Aos advogados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – com especial admiração à Drª Tatiana Zalla.

   Abismo tem significado extenso. Precipício, profundeza, tudo que é insondável, misterioso; tem inserida a expressão “profunda separação”, mas também o fundo do mar e o ponto central do escudo. E abismos românticos? É aquilo que é imenso, insondável, misterioso, situação difícil, problemática. E se tudo isso for o amor? Não há proteção, defesa, abrigo possível.
   Vindo de muito longe, existem os textos de amor, em que os poetas, os escritores exaltavam ou se queixavam das suas amadas. O fato é que a tradição dos sentimentos amorosos, líricos – meio insondáveis, meio misteriosos – é tema sempre escarpado – um despenhadeiro para os amantes da poesia. É por isso que o pequeno livro Abismos Românticos (1991), de Reginaldo Alves de Araújo, atual presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, itabaianense (PB), compositor de pelo menos cinco hinos – Hino Oficial da cidade de Itabaiana, Hino Oficial do Colégio Estadual de Itabaiana, Hino Oficial da EMG Alcídio Pimentel (MS), Hino Oficial da Colônia de Férias de Campo Grande, Hino Oficial do Pré-escolar da REME (Campo Grande/Ms) e de outras obras –, tem seu valor.
   O estilo romântico sustenta as duas partes do volume: 1ª Parte – muito romântico; 2ª Parte – cívicas e sociais. Parece que tem a ver com sussurro, melodia, canção – coisas que embalam sua vida e fazem bem ao leitor. Imagine se o que escreve for por amor? De uma chuva que batuca no telhado acordando a noite (Perfume do Infinito)? Pois poesia de amor também é “voragem do vento [que] chicoteia, vira açoite/Encachoeira-se no rio, esmaece na pampulha.”//
    Um poema, uma canção são fenômenos dos mais bonitos de Jeová, porque abraçam, com doçura, o firmamento: “Despenca do firmamento com doçura celeste,/Vista pelo poeta como o Perfume do Infinito,/ Bem vinda serás no oeste, norte, sul e leste,/dos fenômenos de Jeová, tu és o mais bonito.”//
   O fato é que a tradição dos versos é veículo dos sentimentos. Servem como mediadores do diálogo entre o escritor e o leitor. Continuamos ávidos por trovadores que embalem nossos sonhos. E que alimentem nossa imaginação. Que nosso imaginário seja salvo para que haja compaixão, simpatia pela humanidade, ternura – emoção.
   É por isso que o pequeno livro Abismos Românticos está entre nós – após 19 anos da data de sua publicação –, ora como uma “volta ao recôndito”, ora como passos na via do destino do poeta. Em As Pétalas de Tua Nudez, as imagens fortalecem o nosso olhar. Mas não são imagens comuns. E sim olhares delicados surgindo de um pensamento inovador. Observe a prevalência do instinto e do desejo nestes versos: “Como uma viçosa flor, vejo-te no desabrochar,/ Invadindo os cristais de tua imensa ternura,/ As pétalas de tua nudez, afaguei-as no rimar,/ No mimo de teu pólen, aplaudi minha bravura.”//
   São 82 poemas e inúmeras ilustrações sobre temas diversos: a meiguice, Dia dos Namorados, o verão do sonho, a vileza, a amargura, a paixão, o vencedor, veneno. De outras páginas chovem composições das brechas de seu coração, ou belas imagens medram férteis de sua alma, como por exemplo: Nas Alcovas de tuas Manhas, O Fantasma do meu Eu, Tropecei em teus Caprichos.
   E No Alcantil de teus Sonhos? A bonança é prisioneira, capturada, presa. Como? Pecados e orgia jorram como fonte de pura alegria.
   Janeiro. A fantasia poética chega até nós como um suave beija-flor, como musa dos sonhos que recebe do poeta o Parabéns, Linda Morena: “Salve o dia 28 de janeiro/Todos festejam um mundo de amor,/ ‘Parabéns linda morena.’/No jardim da amizade, és a flor”.//
   Uns poemas são para dizer o quanto se gosta de alguém – Nas Ramas de teu Olhar, Nas espumas de teus Afagos, No Sorriso da Lua, Nas Crinas do Sol -, outros para secar lágrimas: O Prosa dos meus Amores, Um Cálice de Fel, Um Cão Burlesco. Mas as andanças do amor e os suspiros estão em quase todos. O enxergar, o encontrar e o sonhar são os principais personagens da esfera romântica dos seus versos: ”Sou um oásis que te ama, linda flor/Como um dilúvio universal de sonhos/ Semelhante ao vôo certeiro do condor./ Afaste de mim, logo, teu olhar tristonho.”//
   O livro tem como grande tema o amor. Há uma infinidade de emoções atravessando cada uma das suas 98 páginas. E tem ainda a singularidade da 2ª Parte – Cívicas e Sociais. Nesse seu estilo de desenhar um trajeto temático na superfície de seus versos, Reginaldo Alves de Araújo vai auferindo seus conflitos, seus temores, suas dores, seus medos, alisando arestas, para que, enfim sua poesia nos alcance.
   Tem rima? Alguns têm. Um tom de modernidade também fica invadindo cada poema do livro. Segundo verso rimando com quarto. Uns poemas com quatro estrofes, a maioria com três.
    Mais que mais, surge, no final, pelas mãos de uma ninfa grega, a melodiosa ITABAIANA em tintas acrílicas. Nesse clima de sonho, desenha-se a busca do cântico, do ficar espelhado em cada uma das suas nove letras ou, quem sabe, de um Estado inteiro caber no peito do talentoso poeta paraíbano. Sua terra natal, Itabaiana, é proclamada com vigorosos versos:“ (...) brados retumbantes/ Semelhantes clarins a soar (...)”. Seus raios luminosos, ardentes surgem no horizonte encantando a Igreja, seus santos, seus anjos. O poeta acrescenta: “Tua matriz, portal de salvação/ Teus morros de belezas mil/ Encantam teu povo gentil/ Ó meu lindo canto de mansidão.”// Por fim o seu grito de amor: “Eu te amo Itabaiana/ Com ardor no coração/ Elevar teu nome sempre/ É meu lema e devoção.”//

   Enilda Mougenot Pires
   

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