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» SUPLEMENTO CULTURA DE 22/5/2010
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“Itabaiana – deslumbramento de uma época”

   (Prefácio do livro homônimo)

    Mágico encantamento deslumbrava-me à medida que ia recebendo, no cálice da curiosidade, o vinho saboroso destas crônicas aqui enfeixadas sob o sugestivo título “Itabaiana – deslumbramento de uma época”. Acalentando como axioma temático vivências e acontecimentos marcantes relacionados à singela, mas inesquecível e pitoresca infância de Regi – apelido em forma apocopada de Reginaldo, prenome do autor desta obra –, tais crônicas me iam sendo encaminhadas por ele, uma a uma, para publicação no Suplemento Cultural, página que sai aos sábados no Jornal Correio do Estado (MS), sob minha coordenação e responsabilidade da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.
    Atual presidente deste sodalício acadêmico, o escritor Reginaldo Alves de Araújo dá prosseguimento, neste seu livro, àquilo que faz de mais autêntico no âmbito literário: resgatar, em verdadeiras pinturas cinematográficas, memórias pessoais ou de outrem, recriadas no seu rico imaginário com um toque estético a um só tempo subjetivo e realístico, dramático ou cômico... Tal estilo é que lhe confere, através de envolventes crônicas, a marca pessoal da originalidade, engenhosamente vazada em percepções multifacetadas, que motivam e prendem o leitor.
    O cenário de quase todas as histórias é a bucólica Itabaiana, formosa cidade situada na margem direita do Rio Paraíba (do Norte), no estado do mesmo nome. O protagonista de cada crônica, quando não uma personalidade local ou em visita, é o próprio Regi, ao longo de sua infância até a pré-adolescência, ali pelos treze ou quatorze anos. As cenas se passam ora na roça ou agreste, ora em ambientes outros que marcaram o autor, como a igreja, a estação da estrada de ferro, ruas, árvores, praças, estabelecimentos comerciais... mas, principalmente, no remansoso rio Paraíba – palco de belíssimas recordações, em cujas águas possivelmente Reginaldo haja molhado não apenas o seu corpo, mas também sua pena para rabiscar, na saudade, os mais interessantes, poéticos e até comoventes registros – vislumbrados, àquela época, pelos curiosos e sonhadores olhos do menino Regi.
    Assim, logo na primeira crônica da coletânea – Batismo de Jesus no Rio Paraíba – na cena em que um sacerdote reproduz o batismo de Cristo nas águas do Rio Jordão, o então menino Reginaldo Alves de Araújo afasta-se do grupo e, ao sol poente sobre as águas, sonha e descreve o seguinte quadro: “As imagens fervilharam em minha mente. São João Batista, perfilado, no meio do Paraíba, recebeu o Filho de Deus, o colocou no seio das águas, e então sai para criar um novo mundo e um homem novo. Nesse momento, as águas do Rio Paraíba estremecem de uma alegria desconhecida, tocam a carne adorável do Salvador, afastam-se com esforço, vão-se, santificadas por tal contato, e santificam todas as águas do Universo e lhes comunicam a virtude de apagar os pecados pelo batismo.”
    Reginaldo, nas crônicas apresentadas neste compêndio, como que pinça diversos fatos e incidentes que aconteceram em sua modesta vidinha de menino camponês, solto ao vento e ao mundo, todavia sempre sujeito aos sábios desígnios apontados pelos seus genitores. Participava, ao lado do pai, dos afazeres na lavoura, ou das lides domésticas, junto à sua venerada mãe e outros familiares. Portanto, suas crônicas nada mais são do que fragmentos de sua modelar autobiografia infantil, no seio de uma família humilde, porém laboriosa e responsável.
    A esta singela e feliz convivência familiar somaram-se seus pendores inatos pelo saber, em especial, pelas Letras. Para angariar conhecimentos, o pequeno Regi apoderava-se de trechos de sermões dos padres, encontrados nas sacristias... Lia revistas antigas e pedaços de jornais esquecidos nos bancos das praças e até impressos descartados para os lixões de sua querida Itabaiana. Enfim, Reginaldo Alves de Araújo aprendeu com gente famosa e importante a amar e a praticar Literatura. Tudo isso com muita curiosidade, esforço pessoal e dedicação. E tudo isso você vai comprovar, nobre leitor, saboreando, como eu, uma por uma, todas as crônicas deste magnífico “Itabaiana – deslumbramento de uma época”, novo livro do franzino ex-garoto caipira paraibano, Regi, hoje simplesmente membro e ilustre Presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – órgão de magna representatividade lítero-cultural do nosso estado.

   Campo Grande/MS – 06 de abril de 2010

   Geraldo Ramon Pereira
   (Da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras)

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