MATO GROSSO DO SUL, terça-feira, 7 de setembro de 2010 - BOA NOITE!   
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» SUPLEMENTO CULTURA DE 26/6/2010
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Emoções de uma viagem pelo sul da França

   

A beleza é uma alegria para sempre - Keats

   
    Já viajei diversas vezes para a França. Em nenhuma curti com igual intensidade os prazeres que os encantos do sul da França me proporcionaram como desta vez. Foram 16 dias, de oito a 25 de maio, respirando o sabor da cultura medieval.
    A presença de magnífica paisagem rodeada de luzes, brilhos, cores, sons persiste em minha alma com a força dos momentos que o poder do tempo só faz tornar mais consistentes.
    Observei num documentário sobre os Rolling Stones a atração que a luminosidade, a beleza do local produziram em suas criações, no tempo em que lá estiveram, nos anos sessenta, fugindo ao fisco inglês.
    Nossa viagem começou em Nice. Éramos um grupo de 23 pessoas lideradas pela guia francesa Veronique Boisson Masi e orientadas pela competência do historiador Voltaire Schilling, que diariamente nos ministrava palestras sobre temas relativos aos lugares visitados.
    A maioria dos participantes vinha de Porto Alegre. De Mato Grosso do Sul éramos: Neide Câmara Martins, Lia de Sena Maksoud e eu, marcadas pelo amor à Douce France.
    A chegada a Nice teve o sabor original de ter acontecido no trem bala TGV, depois que a fumaça do vulcão islandês anulou nosso voo Paris /Nice.
   Além da beleza natural, Nice conta com um museu dedicado a Marc Chagall, onde apreciamos as recriações fantásticas que o grande pintor fez de cenas bíblicas, transformando pessoas em anjos volteando sobre telhados. Mas o grande impacto foi o passeio à cidade medieval de Saint Paul de Vence, verdadeira galeria de arte a céu aberto onde tudo conspira a favor da beleza que não morre. Ainda no que diz respeito à arte, visitamos na Fondation Maeght o acervo único dos artistas Bonnard, Braque, Giacometti e Miró enchendo nossos corações e mentes de mensagens retiradas da fantasia dos grandes reinventores de sonhos.
    Na capela do Rosário, em Vence, desenhada e decorada por Henri Matisse, reafirmamos nosso encantamento pelas obras desse grande pintor da arte contemporânea.
    Depois da travessia de barco pela baía de Saint Tropez, visitamos o museu Annonciade, vanguarda artística do século XX.
    Caminhamos no porto de Marseille, observando as calanques, estreitas enseadas formadas nas falésias calcárias, passando pelo Castelo de If, onde durante 13 anos esteve aprisionado Edmond – o Conde de Monte Cristo.
    Retornamos a Aix en Provence para uma aula das mais importantes sobre o pintor Paul Cézanne, na visita ao ateliê do artista.
    Em Fontevieille, típico vilarejo medieval, reencontramos no moinho, transformado em museu dedicado ao autor Alphonse Daudet, o encanto da obra Letres de Mon Moulin, que algumas de nós lemos nos tempos em que se estudava françês no ginásio.
    Para sentir o sabor das coisas boas da vida, que os vinhos franceses concedem, houve uma degustação do delicioso rosé na rota dos vinhos da Provença.
    Em Arles, cada detalhe lembrava Van Gogh que ali viveu.
    A visita a uma feira típica regional despertou o interesse dos presentes pelos produtos locais. Houve em seguida uma pausa no vilarejo de Fontaine de Vaucluse, refúgio do filósofo e poeta Petrarca, que foi objeto de excelente palestra de nosso historiador Voltaire. Em Avignon, todos se interessaram em percorrer o castelo de Grignan, última morada de Madame de Sevigné e ainda o teatro de Orange, o mais bem conservado dos teatros romanos tombado pela UNESCO. Ainda em Avignon, o imponente palácio que abrigou os papas no século XIV fez-nos retornar a um passado de lutas religiosas.
   Saímos depois rumo à região do Languedoc.
    Na cidade de Pezenas, assistimos a um interessante espetáculo sobre a vida e a obra de Molière.
    Chegamos a Carcassone, fortificação construída pelos romanos, hoje patrimônio mundial da UNESCO, para visita ao castelo, palco da cruzada contra os ácaros, infiéis que não aceitavam os sacramentos. A matéria foi objeto de ótima palestra de Voltaire sobre as heresias no sul da França.
    Em Albi (Soreze), conhecemos a Catedral de Santa Cecília e o museu Toulouse Lautrec com as obras essenciais do grande pintor.
    A viagem ia chegando ao seu final. Em Toulouse, conhecemos a Praça do Capitol e o convento dos jacobinos, centro da Inquisição contra a heresia cátara.
    No fim da tarde, partimos em TGV para Paris onde percorremos os jardins e o original castelo de Monte Cristo, construído por Alexandre Dumas em Port Marly, às margens do Sena. Atravessamos a floresta de Saint Germain, paramos em Auvers sur Oise, onde repousa o corpo de Van Gogh. No castelo de Auvers, assistimos ao espetáculo Viagem no Tempo dos Impressionistas.
    Nos cinco dias em Paris visitei igrejas, livrarias, fomos a dois concertos de música clássica, um na Sainte Chapelle, outro na Madeleine, e principalmente caminhamos pelas ruas, saboreando o ar magnífico da cidade luz.
    As alegrias dessa viagem me ajudam hoje a acalentar as tristezas, enquanto a beleza interior das paisagens artístico-culturais ganha nova dimensão.
    Uma palestra sobre essa viagem acontece dia 29/06, terça-feira, no chá especial da Academia Sul-mato-grossense de Letras , com exibição do DVD dirigido pelo cineasta Cândido Alberto da Fonseca.

   Maria da Glória Sá Rosa
   

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