A literatura mais rica com o teatro de Paulo Corrêa de Oliveira A arte de representar é um dos instrumentos apropriados à redenção social. Cumprir papéis é a nossa obrigação de cada dia, em nome das funções humanas de solidariedade. A busca do teatro é a mesma da literatura: expressar. Desde sempre, para nos fazermos entender tivemos que teatralizar. E escrever. Tudo é literatura, tudo é teatro. Tudo é compreensão; e viver é compreender. Expressar-se é essencial à vida. Então, escrever o expressado é vital para que novas expressões surjam e, portanto, novas compreensões: vida, enfim, sempre de novo. Teatro e literatura são artes irmãs no campo material, são artes que se unificam no mundo imaterial. O dramaturgo escritor Paulo Corrêa de Oliveira é artífice incomum do teatro e da literatura. Sua base é a região a que pertence Aquidauana-MS, cidade onde nasceu. Publicou na década de 1990 uma coletânea de textos teatrais de escritores do Estado, incluindo três construções de sua autoria, retratando desse modo a expressão teatral regional. Paulo Corrêa de Oliveira ocupa a cadeira nº 15 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, anteriormente ocupada por Luís Sá Carvalho (em memória), patrono Pandiá Calógeras. Diretor de Teatro. Também Arquiteto e professor universitário. Detém texto e direção das peças teatrais: A Retirada da Laguna Revivida; Os Sete Últimos Dias da História; Quem Ouvir – Favor Avisar, de Um Povo Heróico – o Brado Kadiuéu; Era uma vez... Xerez; Um Certo Capitão Silvino Jacques; Divina MS Comédia; Tempo de Taunay; Um Trem Para o Pantanal; Fronteiridade; Cara e Coragem; Dom Quixote - A peça; Terras Terena; O afeto que se encerra; Gran-Circo Centenário; Morte Kaiowá; Canivete 34-36; Mate e Vida Tereré; Cine Glória; e Alegria. Desde a década de 80 as peças teatrais de Paulo Corrêa foram representadas por alunos do Centro de Educação Rural de Aquidauana, e também em Campo Grande e outras cidades de Mato Grosso do Sul, recebendo reconhecimento e aplausos de milhares de espectadores. O nosso eminente professor escritor historiador Hildebrando Campestrini, cadeira 31 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, registrou o seguinte, nos anais da Casa, sobre o teatrólogo Paulo Corrêa de Oliveira: “A linguagem de suas obras é agradável, leve, trazendo um espetáculo elevado, envolvente; linguagem densa, harmoniosa na relação fala/personagem/ambiente”. O vocábulo “Teatro” origina-se do grego “ver, enxergar”. Esse ver e enxergar do teatro significa muito mais que a interpretação comum. Aqui, o ver e enxergar constitui experiência total de atenção e percepção: viver, em síntese. Graças à percepção, podemos saber que tudo evolui; e a escrita e a teatralização acompanham a evolução do mundo. Ainda com Campestrini: As obras de Paulo Corrêa “nascem da história e das tradições da terra sul-mato-grossense, através da recriação e universalização das personagens, dos conflitos e dos ideais”. Vemos, assim, que o dramaturgo trabalha com o fenômeno da atenção nos ditos real e imaginário, para identificar e ajudar a construir uma verdade, a realidade da nossa existência. Paulo Corrêa de Oliveira! Seu mundo de ilimitados sentimentos e ingentes reflexões é amigo do nosso esforço em nos situar e compreender a respeito de onde estamos e para onde vamos. Isso é garantia de vida. Muito obrigado. Guimarães Rocha |