MATO GROSSO DO SUL, quinta-feira, 29 de julho de 2010 - BOM DIA!   
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» ARTIGO

(17/02/2005)


TEXTOS DO ACADÊMICO RUBENIO MARCELO

   

RUBENIO MARCELO,
poeta/escritor membro titular da Cadeira 35
   da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.


   ______________________________.......________________________________
   
   
   A DEUS... JOÃO PAULO

   Ó Karol Wojtyla, João Paulo II,
   Teu nobre semblante de fé e bondade
   Ficará pra sempre na intimidade
   Da grã cristandade dispersa no mundo...

   Dos Sumos Pontífices o mais popular
   Foste certamente em tua trajetória.
   Da Igreja Católica marcaste a história
   Com a paz infinita do teu meigo olhar.

   Nunca os peregrinos se esquecerão
   Dos fiéis exemplos de Amor e Perdão
   Que sempre mostraste em todos gestos teus.

   ... Pela Porta Altiva, nessa caminhada,
   Toma teu lugar na celeste morada,
   Em descanso eterno, ó João Paulo de Deus!

   

03.04.2005

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   RELENTO

   Mais uma noite chega de repente...
   E uma imagem trêfega, franzina,
   Procura o seu descanso de rotina
   Na rispidez do chão indiligente.

   Logo adormece na calçada ardente,
   Cumprindo a compulsão da sua sina;
   Mas sonha que uma chuva repentina
   Está molhando o seu corpo indolente...

   Acorda e vê que o sonho é verdadeiro;
   Levanta-se, buscando um paradeiro,
   E sai cambaleando em desalento...

   Jogada ao léu na rua da amargura,
   Aquela desditosa criatura
   Sabe de cor as leis do sofrimento.

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   GENUFLEXÃO
   (Ou: "Uma pecadora e sua cruz")

   A noite esmaecendo em leniência...
   O templo inda fechado. E a meretriz,
   assaz despudorada e tão beliz,
   entanto busca a paz da sua essência.

   Por um instante, queda-se em latência,
   com sua consciência por um triz...
   Porém, bem devagar, curva a cerviz
   e, genuflexa, faz grã penitência...

   Contrita, ante a friagem da calçada,
   ressonha amanhecendo aliviada
   chorando os seus pecados pra Jesus...

   Deixa-se pela fé ser carregada;
   pede perdão a Deus, compenetrada,
   e parte carregando a sua cruz...

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
    SONHO-MENINO

   Assaz feliz, em pulsações vibrantes,
   Vejo-me, num enleio repentino,
   A cavalgar o pégaso traquino
   Dos tempos de contentamentos dantes...

   ... Revivo, assim, o mar, o tom divino
   Das ondas em volteios verdejantes;
   Ouvindo as brisas, lembro os bons talantes
   Que acalentaram meu tempo-menino.

   Mas, como a nuvem que encobre o luar,
   Subitamente vem me despertar
   O som estridulante de um flautim...

   Desço do sonho, inda a devanear;
   E, procurando o meu ser-avatar,
   Perante o espelho... sinto o tempo em mim!

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   SONETO DA LIBERTAÇÃO

   Jamais se desapegue da esperança
   Que alenta o seu espírito e que seduz;
   Mantenha sempre viva a confiança
   E a fé na grã vitória com Jesus!

   Se cada qual carrega a sua cruz,
   Depois do temporal vem a bonança;
   Por trás da nuvem negra brota a luz
   Pra aquele que persiste e não se cansa.

   Por isso, nunca pense em fraquejar!
   Se abismos, porventura, vislumbrar,
   Não tema, creia na libertação!

   Pois todos que confiam no Senhor
   Renovarão as forças, ante a dor,
   E, qual águias, com asas subirão...

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   GLOBO DA MORTE

   No ziguezaguear estrepitante
   de suas colossais motocicletas,
   em alta adrenalina, os cinco estetas
   vão imortalizando aquele instante...

   Num habitáculo esférico, eletrizante,
   marchetado de luzes inquietas,
   estrugem máquinas, em loucas roletas,
   aos olhos da platéia vigilante.

   Alfim, de súbito, cessam os fragores:
   os alazões de ferro e seus senhores
   voltam às posições iniciais.

   Do glObo, abre-se uma portinhola...
   Os acrobatas saem da gaiola
   e novamente são meros mortais...

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   PALAVRAS E ENTRESSONHOS

   Ah... Tanta coisa eu tinha pra falar
   Quando ficamos sós naquele instante;
   Porém vi que um silêncio extravagante
   Mirava, em calma, a paz daquele olhar...

   Seus olhos refletiam o luar
   Da noite ardente que já vai distante.
   E tudo era meiguice em seu semblante:
   Qual vaga que acalenta o talha-mar...

   Assim, nada falei, mas disse tudo;
   Ela também calou meu gesto mudo;
   Silentes, navegamos céus risonhos...

   Mas mil palavras ditas, bem depois,
   Ditaram os alfanges de nós dois,
   Ceifaram os trigais dos nossos sonhos...
   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________
   

   

   EU, VOCÊ E A PLENITUDE DO SORRISO

   Mergulhado em encanto, qual Peri
   Ante a luz de Ceci em liberdade,
   Feliz eu fico quando você ri,
   Pois seu sorriso é paz em claridade...

   Tal qual da flor precisa o colibri
   Pra que um beijo fecunde a lenidade,
   Eu necessito do seu riso aqui
   Para espargir em mim felicidade.

   Eu quero este presente, pois preciso
   Em plenitude alçar-me ao paraíso
   Do seu sorriso a fecundar o meu...

   E se, na noite de luar tristonho,
   Ao longe o seu olhar mirar um sonho:
   Será meu riso procurando o seu!

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   ALGIAS DO COTIDIANO

   As dores d’alma ferem como espada...
   Eu as pressinto quando estou em calma;
   E, quando acordo em fria madrugada,
   São elas que me espreitam, qual um talma.

   Assim eu traço instável caminhada,
   Buscando um norte, a sorte, a luz, a palma.
   Projeto em névoas a minha almofada,
   Mirando a xalma vã das dores d’alma.

   Ah... Estas sensações são as visagens
   Que chegam em soturnas carruagens
   E cravam no desvão do tempo a seta...

   As dores d’alma são dores do mundo:
   Impulso atemporal, assaz fecundo,
   Que ronda a mente arcana do poeta.

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   PRESENÇA DIVINA

   Estás na manhã que ressurge radiante,
   Na tarde que finda e na noite estrelada.
   Estás no orvalho pela madrugada
   E na voz do trovão que ecoa distante...

   Estás no horizonte, no pó da estrada,
   Nas auras garbosas que sopram adiante...
   Estás na magia do sorriso infante,
   No sal gotejante da lágrima sagrada.

   Nos belos acordes de uma melodia
   E nos versos singelos da minha poesia,
   Tu és harmonia, és a inspiração!

   Estás na minha fé e no meu coração,
   Deixando minh’alma repleta de paz...
   Em tudo, ó Jesus, eu sei que Tu estás!
   
   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   

   F I N G I M E N T O

    Ela finge entender
    que ele nunca
    sabe de tudo.
    Ele finge não saber
    que ela sempre
    não entende nada.
    Ela não entende por que
    ele nunca finge entender
    que tudo entende.
    Ele, contudo, atende,
    fugindo sempre,
    fingindo, aprende.
    Ela dele depende
    e sempre o defende,
    fulgindo, frigindo,
    fingindo, fugindo...
    Em poente infindo
    – e em frente indo –
    ele finge,
    ela infringe.
    São esfinges...

   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   TORTA ROTINA

   O dia me observa
   em noite perpétua...
   Meus olhos de andante
   desviam a tez morta
   do sol da estrada.
   A rotina é rota torta
   que corta o instante.
   Distante, o sonho
   bisonho estende
   pálidas mãos de névoas
   para os transeuntes...
   Sou, entre descrentes,
   mais um ente ausente
   em transe permanente.

   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   

   PARTIDA E SAUDADE

   I.
   Era manhã, brisa mansa,
   Quando deixei Fortaleza,
   Com um misto de tristeza,
   Calma, fé e esperança...
   Trago tudo na lembrança,
   Jamais eu pude apagar
   Três faces a acenar:
   Meu pai, minha mãe, meu irmão.
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!
   
   II.
   Deixei meu lar, minha rua,
   Meu violão trovador
   Que acalentou meu amor
   Em tantas noites de lua!
   Saí com a alma nua
   E, no meu peito, um pesar,
   Lembrando meu chão, meu mar
   E subindo no avião...
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!
   
   III.
   De cima, inda pude ver
   Minha Praia do Futuro.
   Naquele instante, eu juro,
   Deu vontade de descer.
   Mas como iria fazer?
   Se não aprendi voar;
   Se não podia ficar
   Nem mudar minha decisão.
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!

   IV.
   E no frio aeroplano,
   Veloz e cortando os ares,
   Vi indo meus verdes mares
   E os coqueirais soberanos...
   Vi meus milhares de planos
   E as brumas do meu sonhar
   Sumirem no longe-estar
   Do porto da solidão.
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!
   
   V.
   A gente cresce sem ver
   Que o amanhã é oculto;
   A gente fica adulto,
   Faz mil coisas sem querer...
   Parte num amanhecer,
   Mesmo querendo ficar;
   Finge sorrir, não chorar,
   Num longo aperto de mão...
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!
   
   VI.
   O tempo passou, estou mudado,
   Longe do torrão natal.
   Só a saudade é igual,
   Com ela estou lado a lado...
   Quando lembro do passado
   E me ponho a meditar,
   Ela vem me acalentar;
   Sem ela, eu não vivo não...
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!

   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________
   

   

   
    JESUS

   Jesus!:
   Essência de harmonia
   E perfeição!
   Filho sacrossanto
   Da Puríssima Maria!
   Estrela radiante
   De amor e primazia.
   Justiça verdadeira.
   Divina Redenção!

   Jesus!:
   O caminho da vida
   E a ressurreição!
   Onipresença que traduz
   Alegria e paz!
   Grandiosa iluminação
   Que, do alto, nos traz
   O dom da humildade
   E o sabor do perdão.

   Jesus!:
   Facho eterno de
   Purificação!
   Torrente de vitórias,
   Bênção e alegria.
   Plenitude de glórias.
   Suma sabedoria!
   Renovo de esperança
   E a Salvação!

   Jesus!:
   Fonte sagrada de
   Libertação!
   Astro-Rei que virá
   Modificar esse mundo.
   Sol eterno que raiará
   Num bendito segundo,
   Gerando vida nova
   Em cada coração...

   Jesus!:
   Cinzel de harmonia
   E perfeição!
   O caminho da vida
   E a direção!
   Facho eterno de
   Libertação!
   Sagrado esteio.
   Purificação!

   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   

   

   

   
   


Autor: ® RUBENIO MARCELO
E-mail: RUBMARCELO@BOL.COM.BR

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