RUBENIO MARCELO, poeta/escritor membro titular da Cadeira 35 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. ______________________________.......________________________________ A DEUS... JOÃO PAULO
Ó Karol Wojtyla, João Paulo II, Teu nobre semblante de fé e bondade Ficará pra sempre na intimidade Da grã cristandade dispersa no mundo... Dos Sumos Pontífices o mais popular Foste certamente em tua trajetória. Da Igreja Católica marcaste a história Com a paz infinita do teu meigo olhar. Nunca os peregrinos se esquecerão Dos fiéis exemplos de Amor e Perdão Que sempre mostraste em todos gestos teus. ... Pela Porta Altiva, nessa caminhada, Toma teu lugar na celeste morada, Em descanso eterno, ó João Paulo de Deus! 03.04.2005 ® RUBENIO MARCELO __________________ RELENTO Mais uma noite chega de repente... E uma imagem trêfega, franzina, Procura o seu descanso de rotina Na rispidez do chão indiligente. Logo adormece na calçada ardente, Cumprindo a compulsão da sua sina; Mas sonha que uma chuva repentina Está molhando o seu corpo indolente... Acorda e vê que o sonho é verdadeiro; Levanta-se, buscando um paradeiro, E sai cambaleando em desalento... Jogada ao léu na rua da amargura, Aquela desditosa criatura Sabe de cor as leis do sofrimento. ® RUBENIO MARCELO __________________ GENUFLEXÃO (Ou: "Uma pecadora e sua cruz") A noite esmaecendo em leniência... O templo inda fechado. E a meretriz, assaz despudorada e tão beliz, entanto busca a paz da sua essência. Por um instante, queda-se em latência, com sua consciência por um triz... Porém, bem devagar, curva a cerviz e, genuflexa, faz grã penitência... Contrita, ante a friagem da calçada, ressonha amanhecendo aliviada chorando os seus pecados pra Jesus... Deixa-se pela fé ser carregada; pede perdão a Deus, compenetrada, e parte carregando a sua cruz... ® RUBENIO MARCELO __________________ SONHO-MENINO Assaz feliz, em pulsações vibrantes, Vejo-me, num enleio repentino, A cavalgar o pégaso traquino Dos tempos de contentamentos dantes... ... Revivo, assim, o mar, o tom divino Das ondas em volteios verdejantes; Ouvindo as brisas, lembro os bons talantes Que acalentaram meu tempo-menino. Mas, como a nuvem que encobre o luar, Subitamente vem me despertar O som estridulante de um flautim... Desço do sonho, inda a devanear; E, procurando o meu ser-avatar, Perante o espelho... sinto o tempo em mim! ® RUBENIO MARCELO __________________ SONETO DA LIBERTAÇÃO
Jamais se desapegue da esperança Que alenta o seu espírito e que seduz; Mantenha sempre viva a confiança E a fé na grã vitória com Jesus! Se cada qual carrega a sua cruz, Depois do temporal vem a bonança; Por trás da nuvem negra brota a luz Pra aquele que persiste e não se cansa. Por isso, nunca pense em fraquejar! Se abismos, porventura, vislumbrar, Não tema, creia na libertação! Pois todos que confiam no Senhor Renovarão as forças, ante a dor, E, qual águias, com asas subirão... ® RUBENIO MARCELO __________________ GLOBO DA MORTE No ziguezaguear estrepitante de suas colossais motocicletas, em alta adrenalina, os cinco estetas vão imortalizando aquele instante... Num habitáculo esférico, eletrizante, marchetado de luzes inquietas, estrugem máquinas, em loucas roletas, aos olhos da platéia vigilante. Alfim, de súbito, cessam os fragores: os alazões de ferro e seus senhores voltam às posições iniciais. Do glObo, abre-se uma portinhola... Os acrobatas saem da gaiola e novamente são meros mortais... ® RUBENIO MARCELO __________________ PALAVRAS E ENTRESSONHOS Ah... Tanta coisa eu tinha pra falar Quando ficamos sós naquele instante; Porém vi que um silêncio extravagante Mirava, em calma, a paz daquele olhar... Seus olhos refletiam o luar Da noite ardente que já vai distante. E tudo era meiguice em seu semblante: Qual vaga que acalenta o talha-mar... Assim, nada falei, mas disse tudo; Ela também calou meu gesto mudo; Silentes, navegamos céus risonhos... Mas mil palavras ditas, bem depois, Ditaram os alfanges de nós dois, Ceifaram os trigais dos nossos sonhos... ® RUBENIO MARCELO __________________ EU, VOCÊ E A PLENITUDE DO SORRISO Mergulhado em encanto, qual Peri Ante a luz de Ceci em liberdade, Feliz eu fico quando você ri, Pois seu sorriso é paz em claridade... Tal qual da flor precisa o colibri Pra que um beijo fecunde a lenidade, Eu necessito do seu riso aqui Para espargir em mim felicidade. Eu quero este presente, pois preciso Em plenitude alçar-me ao paraíso Do seu sorriso a fecundar o meu... E se, na noite de luar tristonho, Ao longe o seu olhar mirar um sonho: Será meu riso procurando o seu! ® RUBENIO MARCELO __________________ ALGIAS DO COTIDIANO As dores d’alma ferem como espada... Eu as pressinto quando estou em calma; E, quando acordo em fria madrugada, São elas que me espreitam, qual um talma. Assim eu traço instável caminhada, Buscando um norte, a sorte, a luz, a palma. Projeto em névoas a minha almofada, Mirando a xalma vã das dores d’alma. Ah... Estas sensações são as visagens Que chegam em soturnas carruagens E cravam no desvão do tempo a seta... As dores d’alma são dores do mundo: Impulso atemporal, assaz fecundo, Que ronda a mente arcana do poeta. ® RUBENIO MARCELO __________________ PRESENÇA DIVINA Estás na manhã que ressurge radiante, Na tarde que finda e na noite estrelada. Estás no orvalho pela madrugada E na voz do trovão que ecoa distante... Estás no horizonte, no pó da estrada, Nas auras garbosas que sopram adiante... Estás na magia do sorriso infante, No sal gotejante da lágrima sagrada. Nos belos acordes de uma melodia E nos versos singelos da minha poesia, Tu és harmonia, és a inspiração! Estás na minha fé e no meu coração, Deixando minh’alma repleta de paz... Em tudo, ó Jesus, eu sei que Tu estás! ® RUBENIO MARCELO __________________ F I N G I M E N T O
Ela finge entender que ele nunca sabe de tudo. Ele finge não saber que ela sempre não entende nada. Ela não entende por que ele nunca finge entender que tudo entende. Ele, contudo, atende, fugindo sempre, fingindo, aprende. Ela dele depende e sempre o defende, fulgindo, frigindo, fingindo, fugindo... Em poente infindo – e em frente indo – ele finge, ela infringe. São esfinges... ® RUBENIO MARCELO __________________ TORTA ROTINA O dia me observa em noite perpétua... Meus olhos de andante desviam a tez morta do sol da estrada. A rotina é rota torta que corta o instante. Distante, o sonho bisonho estende pálidas mãos de névoas para os transeuntes... Sou, entre descrentes, mais um ente ausente em transe permanente. ® RUBENIO MARCELO __________________ PARTIDA E SAUDADE
I. Era manhã, brisa mansa, Quando deixei Fortaleza, Com um misto de tristeza, Calma, fé e esperança... Trago tudo na lembrança, Jamais eu pude apagar Três faces a acenar: Meu pai, minha mãe, meu irmão. Foi com dor no coração Que deixei o meu lugar! II. Deixei meu lar, minha rua, Meu violão trovador Que acalentou meu amor Em tantas noites de lua! Saí com a alma nua E, no meu peito, um pesar, Lembrando meu chão, meu mar E subindo no avião... Foi com dor no coração Que deixei o meu lugar! III. De cima, inda pude ver Minha Praia do Futuro. Naquele instante, eu juro, Deu vontade de descer. Mas como iria fazer? Se não aprendi voar; Se não podia ficar Nem mudar minha decisão. Foi com dor no coração Que deixei o meu lugar! IV. E no frio aeroplano, Veloz e cortando os ares, Vi indo meus verdes mares E os coqueirais soberanos... Vi meus milhares de planos E as brumas do meu sonhar Sumirem no longe-estar Do porto da solidão. Foi com dor no coração Que deixei o meu lugar! V. A gente cresce sem ver Que o amanhã é oculto; A gente fica adulto, Faz mil coisas sem querer... Parte num amanhecer, Mesmo querendo ficar; Finge sorrir, não chorar, Num longo aperto de mão... Foi com dor no coração Que deixei o meu lugar! VI. O tempo passou, estou mudado, Longe do torrão natal. Só a saudade é igual, Com ela estou lado a lado... Quando lembro do passado E me ponho a meditar, Ela vem me acalentar; Sem ela, eu não vivo não... Foi com dor no coração Que deixei o meu lugar! ® RUBENIO MARCELO __________________ JESUS
Jesus!: Essência de harmonia E perfeição! Filho sacrossanto Da Puríssima Maria! Estrela radiante De amor e primazia. Justiça verdadeira. Divina Redenção! Jesus!: O caminho da vida E a ressurreição! Onipresença que traduz Alegria e paz! Grandiosa iluminação Que, do alto, nos traz O dom da humildade E o sabor do perdão. Jesus!: Facho eterno de Purificação! Torrente de vitórias, Bênção e alegria. Plenitude de glórias. Suma sabedoria! Renovo de esperança E a Salvação! Jesus!: Fonte sagrada de Libertação! Astro-Rei que virá Modificar esse mundo. Sol eterno que raiará Num bendito segundo, Gerando vida nova Em cada coração... Jesus!: Cinzel de harmonia E perfeição! O caminho da vida E a direção! Facho eterno de Libertação! Sagrado esteio. Purificação! ® RUBENIO MARCELO __________________
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