Guimarães Rocha Antonio Alves Guimarães (Guimarães Rocha) nasceu em Quixeramobim, Ceará, em três de julho de 1956. Reside em Campo Grande desde 1980. Escreveu 19 livros, dois deles inéditos, sendo um sobre filosofia moral. É major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, formado em letras, pós-graduado em Fundamentos da Educação, concentração Filosofia, e em Gestão em Segurança Pública. Promoveu em 24 de agosto de 2001, em Campo Grande, o Recorde Poético, diante de duas mil testemunhas no auditório da Universidade Católica Dom Bosco, lançando 15 livros de uma só vez, durante 15 horas ininterruptas de show musical e declamação de suas poesias inéditas. Recorde a vida significante O marco histórico de recorde poético — a Coleção Recorde Guimarães Rocha, traz essa nomenclatura psicológica de capa no intuito de atrair a atenção do livre pensador/experimentador. Aqui o escritor oferece poemas de cada um dos 15 livros lançados simultaneamente em 2001, cuja essência, em que pese maciça divulgação e distribuição, permanece algo um tanto inédito para o conjunto dos leitores. Livro Um: Dante Vive O Bom Suave é a brisa Das manhãs de luz O corpo todo sorri Ao vento brando Caricioso O coração faz música Sublime O compasso sereno Anuncia horas de amor O tempo é leve Para quem pensa O bem ... O Belo Harmonioso é o formato Do espírito que constrói A estética A partir do centro Das belezas interiores Canção e prece Uma e outra são A mesma e uma só Coisa em ato contínuo — Harmonia e ritmo Dos que amam a Deus E aos outros Como a si mesmos Belo é O alimento confiável Do coração para O coração ... A Luxúria — Sexo em vida e morte Aumenta o ritmo Cardíaco As secreções fervilham Na base Dos canais condutores Dos líquidos As formas realçam O apetite carnal A mente se torna Ela toda Sinuosa e febril E começa a gemer Primeiro internamente O que na boca É urro Língua e dentes Amordiscando O forno do útero A chama da ereção A sedução O jogo O prazer A fúria A ira O vazio A tristeza ... Avareza Reter domínios Estancados Na ilusão da propriedade Malsã É mal administrar O que Deus empresta Note O avarento não brilha Como gostaria Torna-se Viscoso Asqueroso Irritante Irritadiço Arredio Triste Um agressivo defensor De patrimônios Ter avareza é Relegar filhos e irmãos Embora verdadeiros À indiferença Ao esquecimento E ao mesmo tempo apertar Junto ao peito Um filho falso brilhante Que se desmancha em lama ... Livro Dois: Amor Minha namorada Há tanto tempo eu Procurava-te sem saber Que tu moravas Junto a minh’alma No tempo E na memória Eu te buscava sem saber Que de algum modo Cedo ou tarde A força de todas as coisas Haveria de colocar-te mais acesa Em meu caminho Avançando novos espaços Em mim Foste espinho Dor Calor Excitação Foste carinho Cor Valor Palpitação Foste bom vinho Flor Vapor Volitação Eu te amo não somente Pelo vínculo espiritual Da lei divina de atração Corpo e alma Move-nos o amor Indestrutível amor Eu te amo porque Há em ti para mim Uma forte razão de viver No mundo ... Busca interior Não posso mais ficar Dizendo que não vejo Deus nos meus semelhantes É preciso sentir O Criador dentro Da gente... viver! E viver é Ajudar pessoas A sentir Buscar viver brilhar O coração O corpo interno Encontramos Deus Em nós quando agimos pelo bem Dos outros É um desafio A generosidade Cultivarmos a paz Nos tornarmos luz No mundo ... Encanto Por todo canto Eu canto A minha voz Veloz campeia Nos caminhos do amor Dos espinhos descarinhos Renasci para encontrar Você! A poesia nasceu em mim Como nasce a flor A poesia que existe em mim Nasceu para acalmar a dor A poesia vida que nasce em mim Vive para irrigar esse jardim Que é você ... Sublime Despertar Acordar para quem ama É renascer no sonho lindo De uma sublime realidade O brilho indescritível no olhar Penetra em mim como uma faca A cortar-me o peito Aquecendo-me o corpo Como üa lareira nos dias de inverno Sonho que faz renascer A chama de um grande amor O momento sublime é acordar E ver a beleza em forma de mulher Saborear um beijo é bom Nos lábios carnudos Eriçar a pele com certeza É bem melhor dormir Dormir só para Acordar em teus braços Renascer ao sol dos teus encantos É testemunhar o novo a cada dia Nas asas de um lindo sonho ... Livro Três: Sonho Sonho Luz Embriagado de amor Busco a lucidez Do teu passo Faço no espaço Um novo traço E desfaço o aço Do sentimento Tu és a luz Do meu sonhar O brilho atrevido Do teu olhar É vida nova Nos meus pensamentos Sabedoria é Sabor A treva se dissipa A claridade existe Se a tua cor irradia No meu despertar ... Imagine e Viva O ato de imaginar É a comprovação Da vida como um fato Imagine um algo Qualquer E sinta... Veja como é disso Que a vida nasce! Quem sonha não está De todo acordado Mas não sonhará Sozinho Pense... Não mais que um sonho Mas todo um sonhar É a vida inteira se resumindo No ato de imaginar ... Lágrimas Da guerra hedionda Não resolvida No campo íntimo Passou-se à devastação Ao horror da guerra Na face externa da vida Orgulho Ferro e Aço No corpo e na alma O bicho papão já é outro Que papa a papa da vida E suga o sulco da terra E nós não seríamos a vítima Tresloucada e irrequieta Se o homem em vez de guerra Brincasse de ser poeta... E tornasse de alegria As lágrimas ... Felicidade A felicidade vem Ao nosso encontro Basta aspirar Campos verdes Férteis forças A felicidade Em algum dos seus recantos Guarda com certeza A natureza de mãe Estrela da manhã Santa-Virgem-Força Divino mistério De transformação Asas da imaginação Sonhos de criança Numa ciranda viva Vida d’emoções Nesta valsa vida De versos e de glória Minh’alma dança Minh’alegria cresce Meu amor desponta Quando rimos e choramos É a felicidade Que a gente encontra ... Livro Quatro: Cidades que Eu Amo Bonito lindo Eu testemunhei Deus trabalhando No município de Bonito Vi a água viva Brotando sem cessar Numa grandeza humilde Vinha o mundo sustentar Deus dá Para renovar a vida Calor Fluido Movimento Atração Refluxo A sombra O sol A luz Assim no céu Como na terra Se nas estrelas contemplamos O infinito Assim também o fazemos Olhando O chão A terra O lodo Peixes mil Dão bom dia Ao sol ao céu De anil Tu és linda Cidade Bonito Maravilhosa Reduto onde Deus Descansa trabalhando ... Três Lagoas Mais era pó Naquele lugarejo Mocinhas morenas Simples De alma ingênua e sã Sorriam da janela Aos forasteiros que trariam Novos impulsos ao lugar De riqueza em riqueza Obrigatório é relacionar Três Lagoas quando se fala Do bom e do progressista Em Mato Grosso do Sul Cresce Município Mas ainda ressoa No pó do tempo Que tenho presente Nas ruas da memória O ronco nostálgico Do motor primata Dum carro velho Levando-me pela vez primeira Na década de setenta À rua larga De cor vermelha Que me fazia entrar Em Três Lagoas ... Campo Grande Amar a terra em que se vive É viver de verdade Sentindo o tempo e o espaço Contribuindo com a expansão Do amor fraterno Aprimorando todos os trabalhos Em torno dos próprios passos Meu amor morena É esta cidade Cheia de encantos Desejos e curvas maravilhosas De ornamental contorno Mais que ruas Prédios e viadutos Parques e praças Carros e casas É gente Ternura Beleza Alegria Segredo e Prosa cortam A Cidade Morena Guardam e cantam mistérios... Dos desalentos que se foram O prosa ficou mudo E o segredo contou tudo; É que suas veias e artérias Transportam mais que água e sangue Máquinas e gentes A Cidade natureza De iluminados acertos Harmonizou vivências Com os migrantes De todos os lugares do mundo Morena é a cidade que você degusta Tez macia, veludo matinal De todas as maçãs Impulso vital Força de trabalho Coragem à flor do dia ... Quixeramobim Saudades Esta terra me pertence Indestrutível no coração Suave amor alimentado É certidão de posse real Possuir porém não bastou Exijo e quero cantar Eu nasci no pé da serra Com o Rio Quixeramobim A água bate na pedra E a saudade dói em mim Minha terra é tão boa Que de boa racha e sangra Onde o pássaro senta e voa Como eu Só quem está distante canta Se cantar saudades matasse Acalmava meu coração Como saudade não mata Vamos cantar um baião Balança neguim balança Balança pra lá e pra cá Eu canto a minha terra Eu canto o meu Ceará Ceará é charque É sempre alimento Do corpo e do coração ... Livro Cinco: Desconhecido Pantanal Chuva pantaneira Depois da decisão De precipitação Quem poderia impedir A chuva? No coração do Pantanal O jacaré guarda os olhos Protegendo as órbitas Submerge Nada Vem à tona E se desloca Pra toca úmida e quente Sua função agora é aguardar Há um profundo instinto-respeito Dos bichos no seio Da mãe-natureza Trocam o arrulhar As aves Pela quietação expectante Cada qual no seu momento Vital No tocante à chuva Que passa a reinar soberana Assessorada pelos agentes Do raio e do trovão O silêncio se faz Até que as águas Comecem apenas a correr Em vez de desabar Devagarinho os baques Tornam-se embalos sutis Da natureza Como querem os pássaros E tudo o mais que vive Eis de novo O sol e as aragens Nas terras baixas Elevações e morros Entranhados pelo Rio Paraguai A celebração permanente É renovada simplesmente Ao impulso do Divino Regente De todas as coisas É tanto pio Tanta voz de fauna e flora Que diante do majestático Meus olhos não contêm As lágrimas de alegria De minh’alma comovida A cantar: — Quanta luz! Quanta luz! ... Pantanal Profundidade é o seu nome Aí Tudo é provisório Tudo é eterno Tão passageira é a vida No paraíso Quanto eterna ela mesma é Quando se pensa no fim Apenas há recomeço Diante das leis imutáveis Incessante é a transformação Da essência chamada renovação Muda e sempre poderá mudar O coração em mim Mas o meu amor pela vida É raiz tocada pelas águas Revoltas Serenas Gélidas Férvidas Como no Pantanal Que se alimenta e morre Para reproduzir vidas No mundo Quando se pensa que morri Como o Pantanal Apenas me preservei um pouco Reservando um grande tanto Para o eterno renascer ... O segredo das águas Donde vêm as águas? — Do laboratório divino O fluido é condensado em água Que cai Sobe Brota Despeja Corre Alimenta Multiplica Substâncias O dom das águas é fluir No nascedouro E mesmo depois De represada Em outra fase não fugirá À força divina do eterno fluir Até o charco ainda que Aparentemente imóvel Elabora em segredo No calor das essências A vida luxuriante que depois se expõe Miraculosamente No pantanal o mistério Das águas É sublime ainda mais Suas temperaturas cambiantes Acalentam variedades De animais Num tanto que desafia A imponência da matemática A água é fiel veículo — Não a envenene Mesmo por pensamento Para que tal ato não se converta Em conseqüências desastrosas Acionando outras águas Para verterem com amargura Dos olhos do teu filho ... A lenda Boca-de-sapo Onça pintada Aracnídeos O medo é grande No imaginário pantaneiro Nada é mais real Que a lenda Quando a mente cria O fantástico factível O nativo Acordado sonha E se vê realizado No mundo mágico Não destrói em vão — Preserva naturalmente Mas ainda anseia o progresso E a evolução à porta lhe traz O bom mas também O inteligente ambicioso Que soma à tecnologia O cruel egoísmo voraz Que fazer para evitar O desastre? Nem o medo e o modo Do estacionário ingênuo Podem assim permanecer Nem a máquina fria Irresponsável que aniquila E os métodos imorais De exploração maciça Poderão prevalecer Há uma solução plausível Entre a lenda e a realidade Da globalização Tal medida é o coração Atuante na ação progressista Reverente na base do bom senso E o reconhecimento Da essência espiritual Que se espraia por todo aquele mundo — Chamada “tudo quanto é sagrado” Diante da qual toda agressão É sacrilégio Ou simples assassinato ... Livro Seis: Luz Tua luz-olhar Todas as cores Se tornam Inexpressivas oscilações Se comparadas ao brilho-mulher Do teu olhar Sejam mais infinitas As cores E ainda se mostram limitadas Diante da luz mais-que-viva Existente no teu olhar De mistérios mais que olhos Muito além do globo Ocular Olha Eu morro Feliz de amor E por amar a luz Do teu olhar Olha Eu vivo aflito Suspirando pelo momento De essa luz me envolver Num mundo distante iluminado Pelo teu ser Um mundo cuja beleza Vai além de toda riqueza Que se possa calcular Ali a inspiração se renova Tocada pelas cores inimitáveis Entre a prata e a dourado Tons multiplicados Ao infinito Um mundo perdido Mas encontrado pelo nosso amor Um mundo a que se chega Pelo caminho do coração E de onde não se precisa Voltar ... Novaluz Brilho Sol Energia Encanto Beleza Desvelo Candura Paz Esperança Alegrar-se com O que se tem Agradecer e buscar Conquista nova O bom e o belo Compõem certeza misteriosa Do grande Arquiteto Do Universo Lindo é no olhar Deslindar-se e viver Em amorizade ... O mistério do ar Oh! imponderável Ar que respiro Na mansa brisa do Pantanal Não parece ter Peso nem resistência Mas por admirável ciência Pode organizar-se Em vendaval derrubando Mil construções Da pedra e do aço e até Da mais compacta Rigidez do orgulho e da vaidade Em muitos lugares Os ventos conspiram Furacões Ciclones Tornados Fantásticos rodamoinhos Cá não é hoje assim Embora tal já tenha sido Noutros gigantescos períodos O ar é um mistério Embora eu o conheça Muito bem Nele atuando A bel-prazer até que Deus Altere o rumo Movo-me no ar Vivendo nele E dele haurindo sempre Uma nova luz Não polua o ar Poluindo-se a si mesmo Para que a mim não me polua E aos meus irmãos Pior que morrer É viver mal E estragando a vida No entorno dos próprios passos A beleza é mistério Mas a maldade É a própria treva Desvendada A cada maldito ato De sujar ... Fome Certos animais armazenam No próprio estômago O alimento para Vomitando Dar aos filhotes Leva no bico Uma avezinha Dá aos filhinhos O que comer Amor inexcedível Amor de Deus Amor instinto amor Ternura animal Veja com que desvelo Os bichinhos nutrem Acarinham Preservam os seus E se preservam em Deus E se distância e morte Surgem na natureza Tal se dá sem ódio Apenas no cumprimento Das divinas leis De equilíbrio e renovação Por que então E o que houve depois Com o homem? Racional Deixando à míngua os seus À fome penúria O filho do outro E até os da própria Carne Louco! Não sabe então Que a humanidade É mãe irmã Pai e filha Filhos e avós Entre si? Ai de nós que não vivemos E deixamos morrer em vão A indiferença A destruição abusiva A violência A desolação Que lamentamos São os rastros Da nossa falta de educação ... Livro Sete: Saudades Rios que choram Os rios não sentem saudade Passando sem mais voltar Sem pressa Vão trazendo Alimentando Multiplicando Vidas Jamais serão os mesmos Depois que correm Mas os rios são A própria expressão Da saudade real porém No sentido inverso Não choram de dentro pra fora Choram de fora pra dentro Depois se lançando ao mar ... Quero voltar Querer mais Saudade é isso Querer de volta O que já se teve Foi bom E mais não se tem Significa também Ter havido crescimento Atos de amor Querendo voltar Saudade então Quer dizer O que se teve Foi bom demais ... Saudades Nosso encontro foi Uma conspiração Das forças da vida Nesses impulsos A saudade com certeza Morava na intimidade Nisso muita explosão havia Ensaiando implosão A saudade não morria Em mim Mesmo quando ao teu lado Muito tempo permanecia Teu coração distante Mantendo em todo instante A dor calada da ausência Sempre tão anunciada Fugiste mas não lograste De mim obter distância Agora em meu pensamento Tão presente tu te encontras Que é como naquele tempo Quando tão perto de mim Teu calor delicioso quanto ausente A cada instante de saudade Bem pertinho me matava um tanto ... Viver de novo Lágrima rolada Sereno quente Perolando gotas Na face Dos que choram por amor Saudade dor O saudoso deseja apenas Viver de novo Saudades exprimem Poder e força para retomar A vida fluída O tempo é irreversível Mas o que é bom Repete-se para o bem Dos corações que amam Voltar a viver é função Dos que perderam de momento A oportunidade Deus no entanto Dá funções à natureza Para que tudo para todos Seja sempre renovado ... Livro Oito: Viver é Lutar Lute e viva Resistência só se adquire Lutando Viver é vencer-superar Resistências Viver é experimentar E a resistência é que dá Sentido A toda experiência Ausência total de resistência Seria o vazio E o vazio Não existe A tensão dos opostos É que garante O caminho do meio Pergunte-se ao indivíduo Que lastima as dificuldades Onde é que foi parar O seu sentido de valor Querem até de Deus Os tolos homens que esperam Pelas crenças Facilidades indébitas Querem Que a divina providência Anule por milagre A ação da resistência E a bênção da experiência A força só existe Por causa da resistência Se nada lhe resistisse Pra que haveria potência? Afinal o prazer da conquista Não é o vencer de resistências? Só é forte aquele que venceu Muitas dificuldades Sem obstáculos a vida Só produziria Fracos e covardes Ou natimortos Queira viver e aceite O desafio de lutar Ou em tristeza se deite Esperando a vida passar Com a frouxidão a lhe asfixiar Enquanto teme a dor lhe alcançar Aja pra não ter que reagir Pois preguiça é facilidade pequena Preparando uma surda gangrena Com lindos cantos de seduzir ... Vampiros Saiba O comodista é Um lutador Luta desesperadamente Pra viver sem nada fazer Trava batalhas cotidianas Pra justificar Um modo vampiresco de existir Sem devidamente se esforçar Grandes ladrões trabalham Durante a maior parte Do dia e da vida Pra encontrar ou desenvolver Maneiras de mais abusar E abusar muito mais Buscando locupletação Ação de completos loucos! Trabalham mais que o comum Dos trabalhadores Cavando com tenacidade para si Um abismo de dor Deus nos cala Na consciência que não se cala ... Fadiga ascensional Canse Corpo e mente ociosos Anunciam Insônia Viciação Desgosto Canse A satisfação íntima De haver se esforçado Ao máximo da capacidade De momento Dá a você alegrias Do prêmio do dever cumprido Da consciência tranqüila Os que evitam a todo custo O cansaço O incômodo O bom serviço útil aos outros Tornam-se Surpreendentemente mais Irritadiços Moles Desconfiados Amargos Sofredores Canse Ninguém crescerá Se não se habituar a ir mais além Um ponto acima Do limite atual Por superar limites O homem descobriu A capacidade ilimitada Da própria mente Canse Se agirmos somente Na esfera da acomodação Aos poucos nos descobriremos Limitados Medíocres Estacionários Os que mantêm Corpo e mente ocupados Na existência útil Simplesmente encontram Sem precisar da elaboração De grandes equações Da ciência humana — As razões e soluções da vida A certeza das coisas em Deus Todo um universo amigo Abrindo-lhes novas portas A cada passo desvendando Caminhos para o infinito ... Espada Poucos conhecerão Todos os significados Da arma multimilenária Desde antes de Cristo Encantava povos Gerando arquétipos Para as civilizações Temível extensão Do orgulho e da maldade Crime Iniqüidade Por tantas vezes Pseudovitoriosa Em conquistas malsãs Mas também Protetora A postos pra garantir O bem A defesa De direitos Irosa Airosa Símbolo de honra A estética militar cultuava Os duelos com espadas afiadas Ao vencedor uma espada Como Quando Por que Em que casos E até quando utilizar A espada Constituem ciência ainda a ser Longamente aprendida O pensamento agudo A língua ferina São formidáveis espadas Desafiando o tempo ... Livro Nove: Encanto Apenas um homem Veja quantas flores Guardo num recanto Do meu sonhar puro encanto Pra lhe ofertar Flores cantantes Vivazes expectantes Um pouquinho tímidas Em seu jeito de cantar Cuidando não prejudicar Momentos de aceitar Pois é muito triste O ato de rejeitar Quietinho fico por dentro O silêncio transformado em arma Defensora de um grande amor Mas à natureza peço Trabalhando para tanto — Em mim não haja quebranto Quando você vier Com o fervor da alma feminina Requisitar impetuosas ondas — Arrojos de um sonhado amante Viver para o homem é também A luta pela compreensão Da interioridade da mulher — Um oposto que o completa Precisa pois o elemento — e isso eu também quero Conhecer o exato momento Da necessária inspirada Transformação Nas horas em que o romântico Precisa dar um salto quântico Quando então as fantasias somem Pra restar ali somente um homem ... Perfume lilás A tua presença-cheiro A tua presença-cor É também perfume Invadindo secretamente O meu total ambiente Secreto corpo-da-mente Aroma-suave efeito Cortante estimulante Transição sóbrio-azulada Para o emocional Arroxeado-violeta Jogando-me a um novo céu Beleza indizível Em ti os odores são amores De variados tempos multicores A tua presença me comove ... Funeral da beleza Ai de nós Que desejamos a beleza reter Aprisionar Aprendizes do amor Nos especializamos Em asfixiar A beleza retida – Deixando de fluir – Tem a propriedade ingente De tornar-se feia Instantaneamente Harmonia contida Num cercado Faz loucura sem voz Na calada da noite Sombrio sentimento Ame e passe Ame e se preciso deixe Partir Não tema a traição De traído só há Aquele que se trai Não há traidores de outrem Por toda parte muito se vê Aqueles que traem a si mesmos Com medo de perder O que nunca se tem Como propriedade Traindo o próprio amor O ignorante intenta aprisionar Aquilo-espiritual que deseja Transformar em objeto Funeral do amor É como ocorre Às grandes verdades Encerradas num livro Cristalizadas em dogmas Mas não experimentadas Não vivenciadas com humildade Tornam-se fantasia oca Mediocridade arrogante Veneno paralítico ... Teu nome Rosa Rosar é fazer Corar Tornar-se cor-de-rosa Rosear é corar Para mim Tornou-se essencial Rosa praticar Corei não de vergonha Corei formando em coro Os pensamentos-coral Com várias vozes de amor Que trago no coração Grandes formações de coral Nos mares de minh’alma Pra resumir o canteiro de Cores — o coral Quero cultivar um mar de rosas Por entre muitos afagos Destacar uma Rosa Sorrindo aromatizando Na vida um jardim ... Livro Dez: O Policial e o Poeta Policial poeta Vi olhando Por todo o universo Que em nenhum lugar havia Tanta secura e distonia Que não coubesse ao menos um grão Da aventura mental coração poesia Eis que encontrei Pelos campos insegurança Mas ainda esperança De tudo melhorar Podendo haver ternura No ato de policiar Levemente mas com firmeza Sem perder a sutileza Pleno de autoridade mas educado Repressor do mau pendor Portador de arma temível Sem desfazer o olhar gentil O tempo passa e não passa A obrigação de policiar Em busca de combater o mal Recruta-se um novo policial E se o crime se agiganta Mais alta é a voz que canta O pensamento em Deus nunca morre Se a poesia amiga nos socorre ... Assalto de corações Mãos ao alto! E também o olhar Pra levantar o coração Quero vencer a indiferença Do olhar a dureza E roubar corações Tenho para este assalto Uma arma infalível — A transparência de intenções Estou certo do êxito Pois só pretendo obter O que se quer entregar O assalto amoroso é assim: Há saltos de amor Do coração para o coração ... A greve da violência (a morte súbita) Agora no futuro Do homem evoluído Também pelo coração — Eu — a Violência — Entrei em greve Por tempo indeterminado Chocada por não receber o salário Da cólera irritação vaidade louca Orgulho ferido malsão Pasmada por já não ver Frutos prevalecentes De abuso maledicência Deixarei de acionar nervos Tingir de sangue veloz As veias incautas Retesadas Não haverá doravante Banhos de sangue Agora um banho de luz Barra-me o impulso insano Da destruição Fiz greve-relâmpago Fui mortalmente ferida Por um raio de amor No último suspiro vi Policiais guerreiros da paz Morri ... Policial Professor poeta No olho do crime O centro de um furacão Aquele olhar bandido Anunciando a morte Alegava porém o culpado Apesar da evidência Ao ser interrogado Total inocência Quanto ao crime praticado Hipocrisia cruel Chaga da humanidade Não fosse o sentimento cristão Segundo uma furiosa opinião A morte lhe cairia bem Vida e morte são apenas dois Lados do mesmo viver Morte não lhe desejo pois Pena máxima lhe dou E não a morte vã Condeno-lhe ao trabalho De auto-regeneração A educar-se por toda a vida Hei de acompanhar-lhe como irmão Pelas veredas da educação Jamais seu cúmplice Nunca seu torturador De modo algum seu carrasco Mas simplesmente Seu professor ... Livro Onze: Rio Tantos rios (minhas vidas) Minha vida é medida Por muitos rios Cada rio é medida Para as minhas vidas Houve os verdes rios Acalentando percepções Nos espaços da infância Nos leitos límpidos de água pura Nos paninhos limpos do leito humilde Maternais canções de ninar Tocando de leve o pequeno coração Abrindo os caminhos da poesia-vida Os trigais da adolescência Foram idades de ouro-flor Desabrochar-esperança Num tempo juvenil Complexos de aceitação-rejeição Mistérios da sexualidade O rio da juventude Ria das possibilidades Às vezes ria até da prudência E do juízo bom-senso Explosão caudalosa ação Façanha realização Impetuoso rio a ser contido E entendido para finalmente Ser liberado com responsabilidade Hoje a colheita madura Encontra um novo jardim De renascenças O futuro já chegou E a velhice agora se chama Palavra morta Amanhã o anjo da vida futura Trará flores preciosas de jasmim Anunciando vida nova para os meus filhos Quando eu for ao chão realimentar a terra Quando eu for guindado à memória-luz Na gratidão dos familiares Movendo-me em profundo silêncio Retornando ao tempo do Rio Universal Que alimenta todas as coisas ... Rio Campo Grande MS Campo Grande MS-rio acima Do cimento-concreto É também força mística Canto do meu canto Cidade minha E dos corações que a amam Indefinível beleza Elevando energia Da noite e do dia Dos movimentos harmoniosos Das construções silenciosas Os enigmas tornam-se êxtase Clareza dos meus sonhos Vidência da minha realidade Campo Grande é um rio de amor Em Mato Grosso do Sul ... Rio Formoso Rio de minha vida Irradiante de luz e amor Formoso é o seu espaço Gracioso é o seu leito Grandioso é o seu mistério Seu valor é mais que Bonito Suas espécies são mais que Pintado Piraputanga Esmeraldino Ouro que sustenta A Serra da Bodoquena Sua preservação É graça da gente maravilhosa Desprendida do vil metal Cultora de elevados hábitos Espírito de conservação Tratando as coisas da vida Com dedicação amor-ternura Sul-mato-grossense candura ... Deslindar-se Pode ser a perda Da razão do exato momento No êxtase Do existir Alindar-se É dar razão ao Embevecer No perfume Do amanhecer Pelas ruas e praças O sol na nossa cara Expondo beleza emoções Faz a nossa existência Transcender o tempo Abraço infinitamente Identificando-me Na energia cósmica ... Livro Doze: Contrastes Sínteses do contraste O quente-frio do meu sonho É o acre-doce da sua Presença-distância A brusquidão-suave Do pensamento-matéria Arrasta-me estacionado Na solidão-multidão Da morte-vida sã-doença Pela falta-preenchimento Que seu sorriso-triste Ignora-provoca No meu tempo-sem-tempo Ah! Que bem-malvado Faz-me-desfaz O seco-suco Do seu beijo-distância... Mas ainda me resta-preenche O vazio-recheado De um deserto-mareado: — Um olho-seco-que-chora Se o tenho-não-tenho alternante Do meu desejo-indiferença Não faz-desfaz A morte-vida Da saudade-encontro Do sem-si-consigo Alegra-me a tristeza Ainda que só-tudo isso De saber-ignorar Que você parte-volta ...E ainda que seu corpo-mente Vá-ficando Resta a plenitude Do velho-novo ser-tão-amor Que curto-longamente... ... O elemento da guerra Disse o desavisado Que a guerra faz parte Da natureza humana Como se fosse Um quinto elemento Misturado à Terra Água Fogo Ar Mas a guerra que se respira Tão somente é desvio hediondo Não mais que veneno ácido Corroendo processos de paz A utilidade da guerra — Porque traz avanço das ciências Das artes e dos procederes Da cidadania E o despertamento de consciências — Não deve levar a entendê-la Como elemento Ou ingrediente natural Necessário à vida em si A luta armada precisa ser Tão passageira quanto O estado de ignorância É por isso que se pode Assegurar que a sede de sangue Daquele assassino que se afasta Rapidamente Não será aplacada em nenhum dia Mas asfixiada na própria dor Quando todo sonho maldito De dominação malsã Se desfizer na poeira do tempo Batido pela evolução humana ... A bênção das cores Todos estamos abençoados — Uns com as cores — Outros com as dores E somos uns e outros A um só tempo De todas elas portadores Das dores bem vividas Sempre surgem as cores Das cores mal-havidas Pelos seus relapsos guardadores Sempre resultam atrozes dores O amanhã sempre se renova Trazendo de volta na vida As dores e as cores De todo o sempre E no final de cada ciclo Infinitos amores ... Intelectuais ao vento Dignidade é fibra positiva Diante do contrário negativo Lá fora sopra o vento Como se não soprasse antigamente É pena que pro lado Que o vento sopra Alguns intelectuais Quedam-se O próximo passo do cair Sem resistir É o arrastar-se Indefinidamente ... Livro Treze: Mofo Esquemas do ranço Compra o voto Com mil artimanhas Mentindo iludindo Ou na caradura Pagando moedas exigidas Por pessoas que valem sempre Menos que o preço Pelo qual se vendem Então no jogo do poder A peça humana incluída Em esquemas de manipulação Afeiçoa-se às manobras da viciação Criar dificuldades Às claras Pra vender facilidades Às escuras Fingir desprendimento Para melhor ocultar O surrupio Mentir e trair Pra garantir um posto Que de trabalho honesto deveria ser Mas feito do crime uma área de lazer Depois os projetos — É corrente hoje no Brasil: Pra governos os preços Dos produtos e serviços São criados com feições redobradas Prevendo dificuldade de pagamento Expectativa de “superfaturamento” Virou rotina A ser desmantelada: — O órgão público paga mais Para os que fazem menos — Licitação marmelada Essa problemática Surge embaixo Entre a população que por isso Acaba tendo tratamento indigno Diante do seu modo menos digno De proceder — Um empresta dinheiro a outro Exigindo “juros bancários” Em troca do “favor” — Não se respeita Acordos e contratos — Quem paga por algo Quer receber sempre “algo a mais” Em chantagem diante do favorecido — Quem vende algo Quer entregar menos do que devia Diante do valor recebido Trabalhando menos e querendo mais Sonhando com o prêmio do nada fazer O rebelado contra o amor de Deus Embolsa o salário do orgulho preguiça Encontrando o inferno No interior de si mesmo ... Apologia do Não (ao candidato a ladrão) Não deixe que a ocasião Desperte em você um ladrão Não permita que a necessidade No jogo da oportunidade Funcione como anestésico Adormecendo a censura interna Saiba — As necessidades são menores Quando são maiores A modéstia A humildade O desprendimento Aprenda sobre o necessário E não exija o desnecessário Três vezes não queira Desfrutar da vida Mais que os seus irmãos Cem vezes não queira Oprimir o próximo Buscando garantir pra si mesmo Mais liberação a consumir-se No avivamento de paixões criminosas Mil vezes não queira: — Assassinar a boa vontade Desprezando iniciativas alheias — Promover intrigas Destruindo oportunidades Da vida para os semelhantes — Desfilar em vão Pelos palcos iluminados Do aparente triunfo da ambição Enquanto na realidade Da vida interior Estará apenas corroendo a mente No ácido da ilusão Pra depois Abismado em confusão Mal freqüentar Um precioso caixão ... Olho frio Escrevo sobre uma narrativa Que ouvi há muito tempo Era um campo nazista Um dos olhos do comandante Era de vidro Esse chefe surpreendeu Um menino que fugia Prometeu porém ao pequeno Liberdade se adivinhasse Qual dos olhos Em sua temível face Era o verdadeiro O garoto de imediato Apontou o olho vivo Ganhando com isso O direito de fugir Intrigado O representante ariano Indagou do rapazinho A razão de tanta facilidade Identificando o olho de vidro — Se a imitação era perfeita O jovem disse simplesmente Ao militar insano: — O seu olho de vidro É mais humano!... Era um olho vidente — E um olho de vidro Sem vida mas exibindo Melhor estética se comparado ao outro Que enxergava mas não via Há gente Que a gente assusta Só de botar o olho ... O Mofo Mofo é algo além De um agregado deteriorando A peça principal — Fungo vivendo na matéria Que ele mesmo decompôs Mofo constitui Muitas formas vivas Em estado parasitário Lentamente incorporando Em si mesmas Os corpos de suas vítimas Sabendo que o mofo deseja Que tudo se transforme em mofo Tenhamos cuidado pois Pra não vivermos e agirmos Ininterruptamente sob controle De outrem Pra não descobrirmos Tomados de horror Que o nosso livre arbítrio Foi tomado pelo bolor E a força de vontade Criou mofo Embolorou ... Livro Quatorze: Geração Iludida Começa melhor depois do fim Quais dentre as gerações Permanecem mais iludidas? — Os mais jovens corações Ou as mentes mais antigas? O saudosista avalia corretamente Que outrora havia mais Noção e prática das crenças E valores de raiz Mas por vezes se esquece De que a boa moral E os bons costumes Têm passeado pela história Isolados na elite espiritual Do bom coração De famílias minorias Ou nos santos homens contados Nos dedos das mãos sozinhas Solitárias nas boas ações Assim o bem existiu sempre Mas ainda a ser experimentado E por fim largamente adotado Na família humana como um todo Por outro lado antigamente Prevaleciam grandemente Os preconceitos de casta raça cor Família crença origem pobre nobre Escravidão explícita Sujeição a toda peste doença Massacre morte por força bruta Torturas mil como ainda há Um tanto por toda parte Onde escasseia o respeito Aos nossos humanos direitos Hoje enquanto muitos incautos Anunciam o fim de tudo Alegando total degeneração Despedaçamento geral Por irreversível punição Condenando arrogantemente O Projeto Divino para o mundo Temos neste capítulo Apenas natural perturbação Antecedendo a grande arrumação Que nos devolverá a linda casa-planeta Terra do nosso amor Muito mais arrumada e bela Graças à geração nova que nos beija Os nossos jovens de agora Sentem sofrem transformações Sagrados impactos benéficos Atordoando-se um pouco Mas não permanentemente No mundo de acelerada renovação Em vez da perda anunciada Muito comum se faz por toda parte Uma salutar ocorrência: Ao simples contato com a juventude O antigo viciado que já nem sonha Fica de repente corado de vergonha Pois embora sendo mais velho Tinge logo a cara de vermelho Ao receber o simples bom conselho Elementar porém esquecido Proferido por jovens imberbes E belas mocinhas inexperientes Tantos conceitos que repetimos sem saber Novíssimos heróis nos ensinando a viver ... Vida aos pequeninos Cerquemos de cuidados A criança Ela é a certeza Da vida renovada No ar um choro Que tempo terá? Que turbilhões produzirá? Qual o tamanho do rio Que durante toda uma vida Chorará? Que informação secreta haverá Na mente ganhando lucidez A cada passo do vacilante caminhar? Preservemos o invisível brotinho Da dignidade humana Encerrada na infância Para que não se cultivem Ocultas flores mentais De venenoso teor A criança devolverá ao mundo A sofrida agressão A pedra danificada mas inserida Na base da construção Comprometerá as estruturas Provocando em curto prazo Uma demolição social ... Concepção Gerar é o verbo incessante Do ato contínuo permanente De todos os seres vivos Geração microscópica Macroscópica Reprodução ininterrupta É o procedimento sem fim Das vidas sustentando vidas Gera o ventre da terra-mãe Matriz natural geratriz O pensamento gera Todos somos pai e mãe Em mim o pensamento a seu respeito É geração de amor É o seu corpo Despertando-me paixões É a sua alma Traduzindo-me Inexcedível ternura Geração doçura ... Amor vomitado Estou disposto a morrer Pregando a fraternidade Em busca da liberdade Pelo direito de amar Vou gritar pela vida Do sonho por um mundo risonho Viver é lutar Se o não amar é morrer Há mortos-vivos soterrados Em areias movediças Germes pusilânimes Do mal com seus ditames Corroendo carniças Cadáveres robotizados Ímpios mastigaram Ventres vazios Orgulho do terror Tiranos vomitaram No frio chão O sorriso de amor Dos meus irmãos de coração Estou disposto a morrer Pregando a fraternidade ... Livro Quinze: Transformação Amor e ódio Ódio é sentimento oposto Que dá ao amor razão de ser Sabe muito amar Aquele que consegue pesar No íntimo dos sofrimentos As conseqüências dolorosas Dos atos e fatos odientos A capacidade dos sentimentos Tem uma só raiz Pode-se odiar Tanto quanto amar O dom da escolha É uma riqueza que se tem Mas a fortuna desperdiçada É falência anunciada — Retirar-se-á do que não possui (O portador de falsos bens) Até aquilo que parecia ter E dar-se-á ao que tem mais (O portador de valores verdadeiros) Apesar da ligação direta Entre os sentimentos Contrários entre si E da confusão que se faz Amoródio O amor para existir Não depende de odiosas mesclas O homem a caminho da luz Desespera por vezes Atônito em meio ao torvelinho Das paixões dominadoras Uma realidade vigora entretanto Em torno e no rumo da qual Gravitam e se dirigem Todas as coisas da existência — O amor da Fonte Deus Contra o qual jamais haverá Competente resistência ... Metamorfose Riu tanto que chorou Saudável em excesso Saciou-se por demais Até adoecer Quer tão bem ao outro Mas tão bem mesmo — Que enche o saco! É muito engraçado Mas tão engraçado mesmo — Que dá nos nervos! Bonita linda Uma verdade altamente sonora — Convencida disso A bela enfeou-se na hora! Doce Extremamente doce Afinal enjoando por demais O rio se fez tão forte Mas impetuoso mesmo Que os excessos levaram À perda do contato Com a condução dos canais Pra começar a fazer lama na terra Muito rico Na posse dos bens materiais Vencedor dos jogos do poder A ponto de empobrecer Perdendo de vista os bens morais Chegando à falência espiritual Ele era pura fineza Mas quando o refino E a apuração Fizeram-se mais hipocrisia Pifou diante da ação menor Da primeira grosseria A ser enfrentada Quebrou feito cristal Pra não mais recompor Era de tão excelente procedência Originalíssimo cem por cento Que quase morreu um menino Depois de comer aquele alimento É tão lavado e isolado do mundo Que nem tem resistência Os fariseus modernos São tão bons Bons por demais da conta Excluindo das oportunidades Aqueles que julgam “Infiéis” ou “impuros” Desta vez a raiva Diante dos que promovem As transformações construtivas Da inteligência e do sentimento É muito maior E mais sofisticada A crucificação agora se dá No gólgota da indiferença Agora a morte a Jesus Já não é na infamante cruz Mas simplesmente apagando a luz No ambiente dos corações Ai de quem chorará As conseqüências do ato nefando De alimentar nas massas humanas A ausência de compromisso pessoal Nos trabalhos da evolução ... Faltoso Dinheiro faz falta Incrível como trabalha A maioria das pessoas Que quase não têm dinheiro Martirológio Martírio ilógico Quem muito labora Constantemente chora A baixa remuneração Falta mesmo é sabedoria A saída desse drama Coragem é que se chama Para erguer mais alto a chama Da compreensão Pense que Deus pensou em tudo Para que as suaves alegrias Jamais nos faltassem Ao exigente coração Mas muito nos rebelamos Insatisfeitos sempre estamos Especialmente quando é pouquinho O quinhão que a nós nos toca Curiosamente Se nos bastasse o necessário Sobraria espaço da nossa mente Para as coisas mais altas A nos pedirem especial atenção O problema da ignorância É não enxergar motivos Para imortal felicidade Apesar da imensidão Da natureza gentil E da generosidade divina Cercando-nos de fortuna a mancheias O ingrato coração Veja o caso por exemplo Deste poeta humilde Que faz do tempo um templo Para escrever palavra que salta Da mente pra se tornar canção — Vou gastando paciência Mas ganhando experiência Como se fosse a mais alta E soberba remuneração ... Rio dos julgadores Faça o favor de esperar Até eu me transformar Para só então julgar Como a transformação É processo contínuo incessante — E se você não vai ajudar Volte sempre depois de amanhã Ouse sofrer com os erros Levante-se após a queda Com maior segurança Mova-se partindo dos desacertos Para acertar afinal Vou experimentando Por entre um sistema Cada vez mais complexo Mas continuo perplexo Diante dos que se detêm A julgar todo o rio Examinando apenas amostra De um trecho poluído Saiba que toda pessoa É um rio mutante — De tanto mudar renovando Ou apresentando faces inéditas Vai aos poucos purificando Um jeito de ser a que chamamos Atitude da evolução ...
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